Mostrando postagens com marcador Abstrato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Abstrato. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de janeiro de 2018

Boatos&Abstidos - PAULO e o BILHETE DE AMOR



"dizem que o problema é o passado,
que é o passado que assola paulo
digo 'calma, paulo, meu bom

tudo que é certo encaixa
errado cai pro chão'

pro diabo que carregue esse pensar adolescente 
vou transformar meu passado num decote atrevido
numa cicatriz cubista permanente
preste atenção
maldita como sou
vou entrar pela porta 
e vai querer que danem-se os passados 
as geleiras e o dióxido de carbono
a pressão e o ócio,
paulo
vou fazer-te meu manso dócil
e veja
nem sequer um homem
pois é sei lá o que 
seja lá o que for
és tu 
e com tudo ajeitado
uma nova era
ubuntu
pra eu e tu, 
paulo ou não
termos futuramente
indubtávelmente 
um passado pra admirar
e um espaço nesse grande céu azul."

D'Angelo
(conheça mais sobre a moça q escreve essas parada)








domingo, 31 de dezembro de 2017

BOATOS&ABSTIDOS – FLORA e o FUTURO

⇢  Flora cresceu em meio a poliglotas, circulando entre mestres do êxito acadêmico,
influentes, anuentes, viciados, extravagantes, conscientes
misturada a artistas natos, esbarrando em políticos altiloquentes
Sabia de cor, porque lhe disseram, o percurso do rio e seus afluentes
contaram-lhe as glórias magníficas dos grandes impérios sólidos
as descrenças do mundo e também de sua particularidade cíclica de vida e morte 
Explanavam como memorizar, repetir, contar, medir,
e trezentos anos antes de legislar os processos nervosos, 
encapsularam a psykhé, processaram  mecanicamente o sentir
O que dizer e quando falar permitido por coleira,
efervescência lirista mas também a cólera do que era vívido dez anos atrás,
suscitava-se então uma perspectiva insana, l’acte cruel, the cruel act

Flora, a menina que luta e que tem nome
que aliás é Flora
lindo nome  

tem nome e lutará 
contra a maldição do século
o male de sua época

o generalizar. ⬸



  ↳ D’ANGELO ↲
     
[CONHEÇA MAIS]


M



domingo, 17 de dezembro de 2017

TESEPARAESTAMPAROVERSODALISTATELEFÔNICA2018.doc


            Setenta e oito anos após a segunda grande guerra, vinte anos de “Sobrevivendo ao inferno”, quinto álbum dos Racionais, cento e dezessete anos após o nascimento de Louis Armstrong e sessenta e sete anos após o invento ilustre que é a televisão, resolvo eu, amadora cínica, falar de amor. Parece vago, sinistro e dispensável, e se realmente já pensa meu texto enquanto mais um poema romântico mórbido tal qual Augusto dos Anjos, o que não seria tão tedioso a alguns, desengane-se, ele é de bem menor valor.
            De repente, no auge da madruga, em um quinto de segundo meu cérebro de pronto ativa doze regiões diferentes e libera substâncias como dopamina, adrenalina e ocitocina. 
Se amor é desejo, sinto amor por muita gente. Se amor é dor, sinto-o até em demasia. Se o amor é sentir falta, o sinto verdadeiramente por uma pessoa só. Duvido essencialmente que seja um sentimento explicado satisfatoriamente por meio de verbos, adjetivos e conjunções. Duvido até que Deus possa explicar sua própria criação. E se Deus, que é onisciente, é um dos poucos leitores certos dessas linhas, o questiono nesse instante: O que é essa turbulência que me invade e rebaixa minhas fundamentalidades até somente me restar como essencial a presença que ela deixa, sem culpa, ou por culpa minha, faltar?  E agora? Diga-me de que valem as letras, a história, a dialética, a retórica, os bons costumes e a indiferença, o anarquismo, o movimento de translação, o avanço da tecnologia, chá preto, goró, cannabis sativa, indica ou ruderalis, a cabine telefônica, o parto normal, os refugiados sírios e o governo federal, a universal ou a promiscuidade múltipla residente permanente na calada dum canavial? De que me é útil a revolução industrial, a revolução dos bichos ou a evolução da espécie? De que me vale um lápis apontado se a inspiração caminha com ela, em seus braços, e de que adianta a comicidade velha da barba por fazer nos poros do busto forte de uma mulher barbada, se já não vejo graça, se ela me levou a lógica, me tirou a métrica, me arrancou as molas, e deixou somente esse divagar melancólico que agora vos apresento com total insensatez, descaradamente desiludido na flor dum tempo renascente, que logo trará um ano novo, e com ele outros feitos e aniversários histórico-pragmáticos incríveis e decadentes.
            No ano de eleger o novo e ético, (São meus votos compartilhados), presidente da república, que será Lula, se não o assassinarem antes, (Desculpem-me a franqueza rápida), juntamente também da celebração intensa que é o aniversário de vinte anos da famigerada e inexistente consciência cristã, (Que apenas por um ano não pode se candidatar a prefeito ou a juiz de paz), desejo que me falte ar nas traqueias, que me falte água para regar as plantas, que falte teoria, (mas não práxis), que me falte roupa, modos e assunto, entretanto, como apenas se aprofunda e aumenta gradativa e pontualmente no prazo de doze meses a água das geleiras e o buraco na maldita camada de ozônio, e como envelhecem as moças e prosas, e como morrem os deuses e os astronautas, que não caia sobre mim essa maldição, e que eu não passe outro coágulo de tempo sem olhar no fundo dessas tuas esferas negras e dizer o quanto foi bom te amar de longe, porém que comparado a te amar de perto é apenas estória, falsete, comentar também o quanto foi ruim, no ano passado, celebrar o amor ao tempo, simplesmente festejar o jubileu de carvalho ostentado pela guerra completamente desacompanhada, e escrever a porra de uma tese inteira sobre não estar amando horrores ao seu lado.


Quem sabe ano que vem passa. 





Telephones (anticipation) -NIYAZ NAJAFOV





segunda-feira, 13 de novembro de 2017

DESPERDÍCIO

Queria fugir desses lábios rasos que me cercam, queria fumar essa angústia toda e ver subir pro cérebro.
Queria ser boa artista, queria ter paz na beira da gamboa, me preocupar sempre com o clima, as escolas e as pessoas.
Queria uma face grátis pra esmagar, contundir, depravar, um corpo só meu pra incidir, colidir, magoar, estender os membros todos pra crescer um pouco mais.
Queria outra língua pra espremer, maldizer, procriar. Outra mente pra foder de quartas e domingos, fazer Yoga, ter uma folga semanal.
Queria ser a negra linda do cinema, a branca bela da embalagem. Queria ser qualquer que fosse, mas que algo inda fosse, menos eu, menos banal.
Sendo eu assim desse modo só sei ser eu mesma
E estar onde quero estar
Se eu pudesse era todo mundo
Faria de tudo pra ser muito
Parar de desperdício
E querer cada vez mais.

D'ANGELO




segunda-feira, 5 de junho de 2017

HOMEM MENINO

Penso:
A Humanidade é muito nova
E como faz toda criança
Às vezes senta e chora.

D'ANGELO 

Salvador Dali - Un chien andalou (Um cão andaluz)

domingo, 4 de junho de 2017

RÉPLICA DIRETA

Passado aflito que cintila no fundo do copo
Não bebida, mas moeda 
Troco de bala
Tiro de sal

O bar vazio 
Vazios animais 
Sou sim andarilho de boca aberta
Pra tragar a vida dos demais

A mim você não toca
Jamais tocou bem e não toca mais
Ao passo que tua roupa amassada vive gasta
A minha costuro com a segunda pele da tua alma sagaz

Os solos de guitarra
Os livros e os beijos 
Guarde tudo na caixa da memória
E sei que guardarás também
No pote dos desejos

De resto, após a brincadeira de Caça e Caçador
Disseste que sou múltipla em mim
Se queres saber está certa
Vários eu's que te puseram  F I M

Extinta, eu sorrio 
Do teu sangue tiro o Dê-Lírio 
Que me satisfez
e faz

Sempre, Sweetie
Sempre viver
Always on the road
Correr atrás de mais. 

D'ANGELO


Fabian Perez "Девушка с бокалом"

Fabián Pérez - Girl with Red Hair 








quarta-feira, 31 de maio de 2017

GADO LIVRE

-Você acha que mudar a posição da cerca pode ajudar?
-Acho que você deve tirar a porteira. 


O dono do gado e o trabalhador discutiam um novo método para  não estressar os bois que iam pro abate em poucas semanas.
-Mas se eu tirar a porteiras eles vão fugir, Renato. Presta atenção e me dê uma solução válida.
-Tire as porteiras, senhor.

O chefe estava já perdendo a paciência com o senhor barbudo a quem ele designava o papel de cuidar dos bovinos.
-Olha, não te pago pra isso. Porque acha que tirar as porteiras irá funcionar?
-Os que quiserem ficar, ficarão. Ficarão no pasto mais verde, água a disposição e sombra, mas terão a morte certa. Logo, se ficarem por opção, é porque gostam daqui, logo, estressados não estão. 

O empresário riu alto.
-Posso perder todos os bois? O que faz você pensar que eles conseguem fazer escolhas? Porque mesmo sem as cercas, escolheriam a morte?
-A maioria sempre escolhe o que parece mais obviamente fácil, senhor. E se quer saber, nós mesmos já selamos nossas mortes.
 -O que quer dizer com isso??  Eu trabalho duro pra ter o que tenho. 
-Cerca ou terno, a prisão continua, seu José.

No fundo uma vaca mugia, enquanto o dono do gado enchia os olhos de lágrimas.

D'ANGELO


Torero Painting - Fight Bull In Black by J- J- Espinoza


>MOTE E GLOSA<

Wine Glass Painting on Canvas - sem autor

quarta-feira, 24 de maio de 2017

FALA!

"MORRER DE CORAÇÃO PARTIDO
PARECE IMPOSSÍVEL...
Afirmava o cartaz num poste pra chamar atenção pra uma peça de teatro. 


-Quero alguém que diz que me ama.Você pode dizer, "ora, mas mais que dizer que se ama, o amor se encontra nas pequenas atitudes, esse sim é um amor passível de ser visto em sua forma verdadeira " 

E com expressões exageradas seu rosto comovia, atrás da maquiagem de palhaço.
-Eu te digo, falácia solidificista! Cada qual tem sua forma de amar, bem como cada qual tem sua necessidade de ver-se amada, pegar-se com sorriso bobo de uma singular forma, e eis que digo que pra mim isso vem da boca, da boca que me beija, da boca que fala e da que come, que me come!

Esbravejava e pulava em cima do palanque montado pra chamar a atenção.
- Diga que me ama, diz no meu ouvido ou grita, grita pro mundo da tua gente, do fundo da tua alma! Grita ou cochicha, mas FALA!

Eis que o palhaço vendeu muitos convites naquele dia. Mas apenas ele sabia, e esperava que a moça houvesse entendido o recado, que tudo isso na verdade, apesar de dito por palhaço, foi de cunho muito sério, pra menina que ele amava na platéia.

...SÓ PRA QUEM AINDA VÊ O AMOR
COMO DOENÇA, DELÍRIO
"
Completava a chamada. 


D'ANGELO



jacqueline hoebers; Painting, “Edith as clown


>NO MORE ROOM IN HELL,BOYS<

<FALA!>
“Grace,” the Minnesota state photograph, taken by Eric Enstrom c.1920 and colorized by Enstrom's daughter, Rhoda Nyberg. Around 1920





domingo, 21 de maio de 2017

OUTORGADA: LEI DO AMOR PRÓPRIO

- Declaro, a partir da expedição desse documento, que é proibida toda forma de amor não reciproco. 

Dito isso, o senador ajeitou a gravata. Tossiu três vezes e voltou a ler. 
- É, além de uma questão de ética e moral, saúde publica. O amor, quando não é bilateral, adoece.

Passou a mão no topete e limpou a testa com um lenço azul bordado com suas iniciais. 
- Também está proibido toda e qualquer forma de contato após uma resposta carregada de indiferença. E, ao ser ignorado, deverá permanecer em igual silêncio e não renunciar com chamadas carinhosas de atenção e retorno, ou terá adição de crime hediondo.

Suava frio, estava tenso. A lei tinha mais que um impacto nacional, o afetava diretamente.
- Esclarecidos os termos, outorgo a presente lei na presente data. 

Na verdade só tinha um peso pessoal. Osmar gostava de pensar seu relacionamento como o estado, parecia de menos complicada estruturação, de menos corrupção dos fundamentos.
Na frente do espelho fazia seu discurso, encarando seus olhos, sua própria vitalidade. 

Era difícil decidir, mas não é tudo que se pode estabelecer a partir de autenticação em cartório. Percebeu então que seu casamento não tinha saída.
Percebeu que o seu país sim, tinha futuro. Largou o terno, pegou sua velha boina vermelha no fundo do guarda roupa. 


Desceu as escadas, juntou-se a multidão
Foi lutar pelo seu amor,
Mas só pelo amor que julgava valer a pena
- Viva a revolução

D'ANGELO


The Yellow Man (in Portuguese: "O Homem Amarelo"), Anita Malfatti, Brazil, 1915-1916




Pintura Mural em Lisboa, Centro de Cultura popular de Alcântara - As Paredes da Revolução, Graffiti, 1978




sábado, 20 de maio de 2017

TRULY BELL, MY SUN

Mais um dia se passa
E a vontade ladra

O sentido se esvai, esvanece
Tira a roupa e apetece
O desejo que escorre pelos teus poros
Satisfaz, faz bagunça e agradece.

Docemente nosso
Loucamente nu
dentro e fora do teu corpo
Truly, baby, la belle de jour .

Meu cheiro em teu lençol
Teu em beijo em mi menor
Uma canção, refrão em dó
Saudade grave, essa sem tom
Comparecendo na tua cama, 
A recompensa por jetom.

Cachoeira de volúpia infernal
Teus dentes, minha mente
Te prende e te solta 
Sacia minha gente
Meus vários eu's e ninguém mais
Minha sombra, o meu barco
Ancorado no teu cais.

D'ANGELO


“Lovers” “ — Title Unknown — ” by Kenne Gregoire (1951).



Original Art Painting Elegant Love Couple In A Luxury Paris Restaurant











sexta-feira, 19 de maio de 2017

GRANDE, ONISCIENTE

Não se sabe ao certo o porque de Ana sempre ficar sozinha no final. A garota não mede esforços pra fazer com que os outros gostem de seu jeito autêntico, do papo e do perfume de revista de cosmético.
- Quero me jogar pela janela.
A auto estima de Ana anda de mal a pior.
- Se eu pegar um, empalo, tipo  Vlad. 
Corria, socializava, tinha os pais vivos e uma namorada.
...na verdade duas.
- Mas não é nada sério, doutor!
Exclamava com certeza de seus problemas, sejam quais fossem os conflitos que a atingissem.
- Sei que um dia alguém irá me descobrir...
Sabia dos motivos pelos quais as pessoas iam-se embora, bem como sabia que as que estavam, não estavam pra ficar.

Ana era, excêntrica e magnanimamente plena, um dos seus motivos pra não se atirar pela janela.
Só queria ser pros outros
Bem como ela é pra ela,
A cruel vampira bela,
O atual motivo pra ficar.

D'ANGELO




Charming Gypsy, Oil on chip board by Marilyn Eger


> PSYCHO <


Van Gogh's "Japonaiserie: Bridge in the rain (after Hiroshige) 1887




terça-feira, 16 de maio de 2017

BAND-AID


"I'm a grinner 
I'm a lover 
And I'm a sinner"  ♪

Soava no radio uma canção encorajadora, Sofia pensou ser o momento certo para a idéia que a assolava a horas.
-Te amo, mas sou mais eu.
-Desculpa...o que?

Sentadas na mesa as garotas serviam-se de petiscos de mandioca frita enoladas em bacon e refrigerante de guaraná. 
-I will survive sem você.
-Eu realmente não sei o que você quer dizer.

O primeiro encontro estava sendo proveitoso, até as inseguranças tomarem conta da pobre menina.
-Sei que deve estar dificil de entender, mas vou te amar demais, como Jorge quer Teresa, e uma hora ce vai pisar na bola. Nessa hora quero que você fique, mas saiba que se for, eu vou ficar maravilhosamente bem.
-Não é meio cedo pra isso?
-Não sei você, mas meu ego vivia cheio de band-aid e hoje respira com a ajuda de aparelhos.

No céu, deus torcia o nariz e pensava que a garota ia ficar sozinha e acabar bêbada no sofá do analista outra vez.
- Gabriel, mexa os pauzinhos, temos de agir rápido. Dê um jeito na jukebox, quero Elvis.


D'ANGELO



Patrick Kramer




Two ladies astride an 1895 Crank Drive Motorcycle (r) and a 500 New Imperial






domingo, 14 de maio de 2017

ORAÇÃO À TEORIA DO ROMANCE INTENSO

Proponho: 
- Fiquemos uma do lado da outra.

Quando há gritos de preconceito, há poesia revolucionária

As conspirações insólitas, que fiquem só nos guardanapos de bar.
Que tenhamos noção do achado histórico que foi a outra
Tenhamos sempre força pra dizer, e vontade pra amar.

Sejamos justas na fila do banco
Concretas na expressão do nós
Quereres explícitos e foco no palco
Sem aquele medo de flecha atroz.

Se a vida nos der limões
Enxertamos no pé de laranjeira

Façamos crescer uma arvore de "dois frutos"
Vendemos tudo 
Tipo Forest,
Arruadeira.

Advirá de nós 
Tudo que quisermos ser
Proponho: 
- Testemos a teoria!
Completas:

- Concluímos ao amanhecer.


D'ANGELO
FOR D'ANGELISA TEAM


STANHOPE ALEXANDER FORBES - O terminal, Estação Penzance, 1925 

SE TUDO PASSA, TALVEZ VOCÊ PASSE POR AQUI. 


René Magritte – The Prepared Bouquet, 1957 – óleo sobre tela 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

PROFECIAS

- O que te tirou da cama tão cedo? - Disse, me abraçando ternamente.
Sorri amargo, não havia pregado os olhos naquela noite.
 - Foi o frio.
 - Esse tempo deixa qualquer um incomodado! Se sirva, hoje temos pães e leite quente.
Sentei pensando na mentira de sentido literal que acabei de criar e enaltecer.
Parei, olhei pro verde jardim amável que havia do meu lado, e conclui essa questão fácil.
Só seria mentira se o que, de fato, não houvesse me tirado da cama fosse o frio, mas era. Uma noite toda de amores inventados, futuros prescritivos e utópicos. Pela manhã, pensei em descolar meu coração para coloca-lo num copo quente de coca-cola, nas mãos de uma criança qualquer do quente trópico conhecido.
- Utilidades promissoras - Pensei alto.
Sem entender, a senhora sorriu carinhosamente.
- Mas veja, olhe pro céu. Tenho certeza que vai esquentar.
- Faço de tuas certezas minhas profecias.
Olhou-me curiosa, quase que perguntando verbalmente qualquer erro de coesão.
- Leve uma torrada, elas são de graça.


D'ANGELO


La Mejor Publicidad Retro de Coca Cola

john george brown  -  isn t it cold 






segunda-feira, 8 de maio de 2017

CORDA BAMBA

Na realidade honesta, pensei rápido sobre teu domínio sobre minha pessoa
Senti tuas pernas fortes e seguras na corda bamba do meu coração selvagem

Suscitei uma maneira nova, no teu reino, de reinar sobre a intensidade.
Sorri na face oculta da lua, sua amante indesejada, que de todo ângulo frio, é fria mista a falsidade

Reluz o brilho airoso dos amadores das praças, peças inexatas de um sistema azul, cor do peito aberto, a cor do céu do Sul.

Amor que vem e vai
Faz a morada permanente em mim

Essas ondas tuas enjoam 
Alem do estômago 
Todas as faces do fim. 

(FIMFIMFImFIMFIMFIMFIMfimfimfimfimfimfIMFIMFIMFIMFIMFiMFIMFIM)

D'ANGELO





PAINTINGS BY ANDREW ATROSHENKO




terça-feira, 2 de maio de 2017

A CESAR O QUE É DE CESAR

Aos amantes do bom amor, os amores vãos. Aos viventes solitários, duzia de irmãos. Aos famintos tudo, menos pão. Ao sim autoritário, não. A farra, sermão A raça, extinção A duvida, solução A mim, ela. A Cesar o que é de Cesar A ela o que é dela Sem contradição.



Desilusão - Óleo sobre tela - 30 cm x 40 cm - 2005
E.Cardoso

domingo, 30 de abril de 2017

MICRO ENSAIO À AVENTURA CEGA

Sozinha penso de maneira soturna todas as teorias que me foram adicionadas na idade pequena, e hoje eu as abdico para conhecer mais de mim e de minha nascença. Observo deitada a sólida solidão nefasta que tinge e que rege as leis de meu corpo rosa dourado e bege, da minha mente pensante.
Sinto cada vez mais a necessidade de pôr-me de pé, chutar o balde em que naveguei, por debaixo dos braços carregar meus diários inexistentes, relatórios frequentes do meu ser. Levar apenas aquela coragem, a inspiração que eu tirava dos olhos teus e que agora não cá estão.
Arqueio um sorriso de olhos fechados pensando nessa aventura que posso suscitar. De uma maneira simples e rápida, uma revolução em massa, internamente linda e pesada, estruturar.
Então partir-me-ei, em certeza, com medo e leveza, pro que ainda está por vir, pro que eu tenho a ganhar.
E ganharei, amores.
  • Todavia, partirás?
  • Em toda via estarei.
E em todavia irei ficar.

D’ANGELO




Peter Monamy - c.1720–30
Ships in Distress in a Storm 


A Man in Armour

probably 17th century, Imitator of Giorgione

sexta-feira, 21 de abril de 2017

OVELHA

-Filha, você é a ovelha negra da família.
-Eu sei.
-Não fará nada em relação a isso?
- Platinado e depois arco- íris.

D’ANGELO



Musa Moderna




segunda-feira, 17 de abril de 2017

A SINGULAR HIPOCONDRIA

Nanda sofria de rinite, bronquite e asma. Tinha cabelos elegantes, que dançavam com a brisa, que repartiam-se em camadas de uma mesma cabeça. Cabeça essa que ela sabia usar, pensava como só. Resolvia cálculos e lógica de uma maneira inconcebível.
A menina tem o mundo ao seus pés. Ela só não sabia que colocaria tudo a perder por uma série de amores metidos a melancolia e abusivamente superficiais.
De perto, dava-se para notar: tinha também uma cicatriz enorme na perna esquerda por peripécias pueris com arame farpado.Foi também bi-campeã de xadrez na escola, teve lá suas conquistas fenomenais.
Hoje ela se deu bem, faz uma faculdade qualquer para seguir a vida.
Nanda é bonita...e decidida.
Aos 50, a menina teve letargia óssea e derrame cerebral. Mas ao ser questionada, diz: - Entre retardo e mais uma dessas ilusões, prefiro o problema mais superficial.

D'ANGELO

Marc Chagall - El violinista verde



Entre a guerra e a paz

sábado, 8 de abril de 2017

AS OBSCURAS MORTES DE JANIS JENNY

Eles sabem que estou aqui. Suscito a idéia de me jogar da janela, acabaria com todo esse maldito fenômeno que virou minha vida pra baixo nas últimas semanas. Não tenho pra onde ir e agora eles sobem pelas escadas. escuto vários passos pesados, não há o que fazer, tenho de me entregar. E pensar que era um plano perfeito. Um único erro fez com que tudo implodisse ao chão. A tortura era franca, de fato, mas prometemos não entregar uns aos outros. Não a culpo, também. Sabe se lá como arrancaram isso dela. Eles chegaram! Batem na porta compulsivamente, gritam em uma língua que eu desconheço, pela fresta da porta creme de madeira reflete a última linha fraca e tênue de luz esperançosa que promete extinguir-se ao primeiro sinal da sombra densa tomar aquele ambiente. O abajur diz com seus tons preguiçosos que deseja a inexistência, como eu, como parte do mundo que apenas queria fazer as coisas do jeito certo, porém resolveram arriscar em nome de sua fome, de seus filhos. E agora pra mim, ajoelhada, encaro a porta a ser estraçalhada do modo quadrúpede, a patadas e estocadas de madeira, chutes, coronhadas pesadas das armas que vão em breve perfurar e atravessar meu crânio frágil de humano inútil, espalhando esse líquido azul pelo chão, essa tinta de caneta, meu sangue que carrega minhas singularidades fúteis neste mundo infeliz e injusto. Eis que é chegada a hora. Meus demônios abrem a porta e partem ao meu encontro.
  • Ora ora, senhora. Finalmente nos encontramos pessoalmente.
  • Vocês são nojentos. Verei todos no inferno.
  • O inferno é lugar pra gente grande, moça. Você vai voltar pro ensino médio.
  • Bom humor vocês têm, mas apenas isso.
  • Quando eles descobrirem que dessa vez não foi por amor, talvez liberem te mais uma vez.
  • Pecado é pecado. Sabe que vou passar por tudo outra vez. Só queria verdadeiramente o esquecimento. É tão difícil descansar em paz em vez de simplesmente morrer outra vez?
  • Da próxima tente overdose.
          
                    (clek clek, shot)



Amor do próximo como a ele mesmo