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sexta-feira, 4 de maio de 2018

"Z"

quero ver além dos panfletos e dessas letras todas
das margens, bordas, beiradas
estigmas, dogmas, calçadas
da humilde altura e modesto peso
apenasmente sendo somente
e semeando sementes sem medo

o vago raso do porto
metódico e sistemático perfeito
devir summum malum  alheio
faz jus a  sua contradição

a capa da revista não se faz importante
nem o beijo quente de dois rapazes amantes
antes fosse
o brilho da enxada velha
a quebra da taça bordeux
mostrar a navalha oculta 
samba bossa, peripécia xangô
e calar a voz que dita pros corpos
posturas, jeitos, roupas e modos

Dando assim um fim
por fim
enfim
um 'Z'
a esse insustentável abecê.


D'Angelo

sábado, 13 de janeiro de 2018

Boatos&Abstidos - PAULO e o BILHETE DE AMOR



"dizem que o problema é o passado,
que é o passado que assola paulo
digo 'calma, paulo, meu bom

tudo que é certo encaixa
errado cai pro chão'

pro diabo que carregue esse pensar adolescente 
vou transformar meu passado num decote atrevido
numa cicatriz cubista permanente
preste atenção
maldita como sou
vou entrar pela porta 
e vai querer que danem-se os passados 
as geleiras e o dióxido de carbono
a pressão e o ócio,
paulo
vou fazer-te meu manso dócil
e veja
nem sequer um homem
pois é sei lá o que 
seja lá o que for
és tu 
e com tudo ajeitado
uma nova era
ubuntu
pra eu e tu, 
paulo ou não
termos futuramente
indubtávelmente 
um passado pra admirar
e um espaço nesse grande céu azul."

D'Angelo
(conheça mais sobre a moça q escreve essas parada)








segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

SAL GROSSO

ASSUNTOS – 11/12/2017 – SAL
          
  -Crio com magnificência meu demônio particular, alimentando-o calmamente com tragos e goles diários. Em troca, a malícia que nele consta me sobe à boca nas horas mais oportunas, toma meu corpo e o mexe como quer, aluga-se de minha mente pra travar estratégias malignas e empíricas, e nas sextas à noite me acompanha até o cerne de qualquer prostíbulo do interior. Em suas veias bombeia com graça o sangue do meu útero metafísico, (Aquele que eu não tenho, por desgraça do destino), e em vez de lágrimas, descama os olhos sempre que se entristece, e deles escorre o véu carmesim de minha menarca finalmente concebida pelo Deus que mais me toca.
-Se ele não acertou, me responsabilizo eu por consertar a merda do senhor.  – Disse o médico cético.
- Tua ciência é tão esquizofrênica quanto um supremo que peca propositalmente. – Disse o esquisito do paciente – Sou assim e assim o sou, infelizmente. Mas se quiser tentar fazer sua medicina ajudar, queria uma lavagem completa, pra expulsar alguns intrusos que perambulam pela minh’alma insensata...
- Para esse procedimento recomendo algo mais intenso...
- Intenso?
- É a ultima carta na manga.
- Qual!
-Te digo, ora.
-E seria?
- Sal grosso.
- Li ontem que Iodo também barra conversão ideológica e cura hipocrisia.
- Só expulsar demônio que é novidade?
- Relaxa, doutor. Tá quase na hora de entrar no mar.

D’ANGELO








domingo, 21 de maio de 2017

OUTORGADA: LEI DO AMOR PRÓPRIO

- Declaro, a partir da expedição desse documento, que é proibida toda forma de amor não reciproco. 

Dito isso, o senador ajeitou a gravata. Tossiu três vezes e voltou a ler. 
- É, além de uma questão de ética e moral, saúde publica. O amor, quando não é bilateral, adoece.

Passou a mão no topete e limpou a testa com um lenço azul bordado com suas iniciais. 
- Também está proibido toda e qualquer forma de contato após uma resposta carregada de indiferença. E, ao ser ignorado, deverá permanecer em igual silêncio e não renunciar com chamadas carinhosas de atenção e retorno, ou terá adição de crime hediondo.

Suava frio, estava tenso. A lei tinha mais que um impacto nacional, o afetava diretamente.
- Esclarecidos os termos, outorgo a presente lei na presente data. 

Na verdade só tinha um peso pessoal. Osmar gostava de pensar seu relacionamento como o estado, parecia de menos complicada estruturação, de menos corrupção dos fundamentos.
Na frente do espelho fazia seu discurso, encarando seus olhos, sua própria vitalidade. 

Era difícil decidir, mas não é tudo que se pode estabelecer a partir de autenticação em cartório. Percebeu então que seu casamento não tinha saída.
Percebeu que o seu país sim, tinha futuro. Largou o terno, pegou sua velha boina vermelha no fundo do guarda roupa. 


Desceu as escadas, juntou-se a multidão
Foi lutar pelo seu amor,
Mas só pelo amor que julgava valer a pena
- Viva a revolução

D'ANGELO


The Yellow Man (in Portuguese: "O Homem Amarelo"), Anita Malfatti, Brazil, 1915-1916




Pintura Mural em Lisboa, Centro de Cultura popular de Alcântara - As Paredes da Revolução, Graffiti, 1978




domingo, 14 de maio de 2017

ORAÇÃO À TEORIA DO ROMANCE INTENSO

Proponho: 
- Fiquemos uma do lado da outra.

Quando há gritos de preconceito, há poesia revolucionária

As conspirações insólitas, que fiquem só nos guardanapos de bar.
Que tenhamos noção do achado histórico que foi a outra
Tenhamos sempre força pra dizer, e vontade pra amar.

Sejamos justas na fila do banco
Concretas na expressão do nós
Quereres explícitos e foco no palco
Sem aquele medo de flecha atroz.

Se a vida nos der limões
Enxertamos no pé de laranjeira

Façamos crescer uma arvore de "dois frutos"
Vendemos tudo 
Tipo Forest,
Arruadeira.

Advirá de nós 
Tudo que quisermos ser
Proponho: 
- Testemos a teoria!
Completas:

- Concluímos ao amanhecer.


D'ANGELO
FOR D'ANGELISA TEAM


STANHOPE ALEXANDER FORBES - O terminal, Estação Penzance, 1925 

SE TUDO PASSA, TALVEZ VOCÊ PASSE POR AQUI. 


René Magritte – The Prepared Bouquet, 1957 – óleo sobre tela 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

OVELHA

-Filha, você é a ovelha negra da família.
-Eu sei.
-Não fará nada em relação a isso?
- Platinado e depois arco- íris.

D’ANGELO



Musa Moderna