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sexta-feira, 4 de maio de 2018

"Z"

quero ver além dos panfletos e dessas letras todas
das margens, bordas, beiradas
estigmas, dogmas, calçadas
da humilde altura e modesto peso
apenasmente sendo somente
e semeando sementes sem medo

o vago raso do porto
metódico e sistemático perfeito
devir summum malum  alheio
faz jus a  sua contradição

a capa da revista não se faz importante
nem o beijo quente de dois rapazes amantes
antes fosse
o brilho da enxada velha
a quebra da taça bordeux
mostrar a navalha oculta 
samba bossa, peripécia xangô
e calar a voz que dita pros corpos
posturas, jeitos, roupas e modos

Dando assim um fim
por fim
enfim
um 'Z'
a esse insustentável abecê.


D'Angelo

sábado, 10 de fevereiro de 2018

TETO

sem teto
eu?
o meu teto de tão humano às vezes chora
umedecendo sempre
minha única troca de roupa
e já que é janeiro
molha junto a troca das horas

da folha verde pra mente inconstante
da mente inconstante pro corpo inerte
do corpo inerte pro leito da terra
do leito da terra ao teto limite
tal teto centelha
e ilumina a alheia
visão distante de infinito

o luxo ou o conforto do divã
subentende-se que desdenho
quando o troco pela liberdade
e não pelo desempenho

também não há pedra
fenda, fissura ou emenda
que quebre, destrua ou detenha
a onisciência desse céu ametista
perolado preto
pero âmbar sambista
tudo está no bolso
sei de tanta coisa
mas não penso em nada mais.

além de ser companhia
aliado da virtude
meu teto é minha casa
é meu chão
meu respirar
minha psicanalista
rivotril
bicicleta
peixe

meu teto é meu limite
meu teto 

é
meu
lar.
 






Rob Gonsalves

PRESENÇA

Sinto no peito nevoado o tec tec da tesoura
a ressonância do martelo
o tiro certeiro expelido além do arco
a garoa fina e taciturna da serra minha
mineirou o tempo
mudou corpos, figurinhas
destampou a tampa do absurdo
Sinto o calor ofegante - esse desde hálitos até coisas mais e menos decentes, como apagar vela com os dedos,  ou amar intensamente - então, como deixaria eu? 
eu, pois
como deixaria escapar aos teus sinais?
me veio uma brisa cor de rosa
e uma vontade estranha de voar
era finalmente a prova das provas mais vívidas que eu precisava pra em nada mais acreditar 

por hora nada afirmo, claro
apenas atiro
pegue em quem pegar
porém se sinto até alma no poço
como ignorar sua nítida presença pelo ar?

D'Angelo

Obs: Via Blogger mobile.


sábado, 13 de janeiro de 2018

Boatos&Abstidos - PAULO e o BILHETE DE AMOR



"dizem que o problema é o passado,
que é o passado que assola paulo
digo 'calma, paulo, meu bom

tudo que é certo encaixa
errado cai pro chão'

pro diabo que carregue esse pensar adolescente 
vou transformar meu passado num decote atrevido
numa cicatriz cubista permanente
preste atenção
maldita como sou
vou entrar pela porta 
e vai querer que danem-se os passados 
as geleiras e o dióxido de carbono
a pressão e o ócio,
paulo
vou fazer-te meu manso dócil
e veja
nem sequer um homem
pois é sei lá o que 
seja lá o que for
és tu 
e com tudo ajeitado
uma nova era
ubuntu
pra eu e tu, 
paulo ou não
termos futuramente
indubtávelmente 
um passado pra admirar
e um espaço nesse grande céu azul."

D'Angelo
(conheça mais sobre a moça q escreve essas parada)








domingo, 31 de dezembro de 2017

BOATOS&ABSTIDOS – FLORA e o FUTURO

⇢  Flora cresceu em meio a poliglotas, circulando entre mestres do êxito acadêmico,
influentes, anuentes, viciados, extravagantes, conscientes
misturada a artistas natos, esbarrando em políticos altiloquentes
Sabia de cor, porque lhe disseram, o percurso do rio e seus afluentes
contaram-lhe as glórias magníficas dos grandes impérios sólidos
as descrenças do mundo e também de sua particularidade cíclica de vida e morte 
Explanavam como memorizar, repetir, contar, medir,
e trezentos anos antes de legislar os processos nervosos, 
encapsularam a psykhé, processaram  mecanicamente o sentir
O que dizer e quando falar permitido por coleira,
efervescência lirista mas também a cólera do que era vívido dez anos atrás,
suscitava-se então uma perspectiva insana, l’acte cruel, the cruel act

Flora, a menina que luta e que tem nome
que aliás é Flora
lindo nome  

tem nome e lutará 
contra a maldição do século
o male de sua época

o generalizar. ⬸



  ↳ D’ANGELO ↲
     
[CONHEÇA MAIS]


M



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

DESPERDÍCIO

Queria fugir desses lábios rasos que me cercam, queria fumar essa angústia toda e ver subir pro cérebro.
Queria ser boa artista, queria ter paz na beira da gamboa, me preocupar sempre com o clima, as escolas e as pessoas.
Queria uma face grátis pra esmagar, contundir, depravar, um corpo só meu pra incidir, colidir, magoar, estender os membros todos pra crescer um pouco mais.
Queria outra língua pra espremer, maldizer, procriar. Outra mente pra foder de quartas e domingos, fazer Yoga, ter uma folga semanal.
Queria ser a negra linda do cinema, a branca bela da embalagem. Queria ser qualquer que fosse, mas que algo inda fosse, menos eu, menos banal.
Sendo eu assim desse modo só sei ser eu mesma
E estar onde quero estar
Se eu pudesse era todo mundo
Faria de tudo pra ser muito
Parar de desperdício
E querer cada vez mais.

D'ANGELO




domingo, 12 de novembro de 2017

ORAÇÃO

Camaleão da noite
que mergulha entre ratos e pombos amargos
e de vez em quando aparece
tenso,  trajado à rigor e ultrapassado

O sol almeja teu amarelo estrela
mas apenas uma certeza há de carregar:
Teu cinza bate
com o cinza da lua

Noturno, soturno, meu animal
vou prestar-me ao teu serviço
e fazer de toda esfera
uma bola de cristal

Faz-me de toda forma
cria-me, decora-me
Muda minha cor e traços
trace com minha tinta os teus retratos

Existo e nisso eu prefiro acreditar
O resto é casca. 

D'ANGELO 🔻










segunda-feira, 16 de outubro de 2017

GINA, A AMANTE DE TODAS AS COISAS

Gina vivia encarando a embalagem de palitos de dente e não se reconhecia na moça caucasiana de sorriso largo e cítrico da foto. Considerava-se bem menos sem sal. Dizia essas e várias outras coisas entre doses de água ardente e queijos coalhos, gritava ao mundo que basta, já havia prolongado muito sua sabotagem a própria pedra que ela rolava com tanto suor de seu corpo e esmero de sua mente, como Sísifo, que, por sua vez, ela achava otário. Só havia um pequeno problema... Sua pedra tinha nome, endereço e sangue nas veias. Chamava-se Elis e estava repousando sua boca trêmula em um copo de vidro temperado do tipo americano repleto de cerveja em qualquer lugar ao norte dali, com sua calma habitual, todavia bem como a cocaína que Gina tinha mandado pra cabeça em cima da Bíblia com o canudo azul que tomou sua Fanta laranja ciquenta e dois minutos atrás, Elis era demasiado vívida pra essa calma ser o resumo misto de sua existência e porte em cima dessa terra de meu Deus.   Ali, naquele minúsculo cubículo, drogada e bêbada, encarando sua xará de madeixas claras e rosto simetricamente capitalista, mordendo um palito de araucária, desandou em soluços e viu-se numa situação nunca antes pensada. No fundo estalava o grave torácico, viciante e nasal de Zé Ramalho, quando instintivamente a menina colocou as mãos nos bolsos procurando qualquer coisa que lembrasse sua sólida e diária sensação de amar o ar. Era isso. Amar Elis era como amar o ar. Não se vê, não se toca, mas entra pelos pulmões e da o ar da sua graça na onipresença de todas as coisas. Era como amar a própria Gina estampada na caixa de papelão, com aquele místico semblante aristocrático.  
Os apáticos olhos fixos e assaz claros da imagem, quase como uma santa, já narravam a verdade oculta, que a cada passo mais e mais se estabelecia. A garota encontrou em seus bolsos trinta e seis centavos, uma bala de iorgute, uma ponta e quatro chaves. Passou a mão sobre suas pernas, colar, brincos, nada. Nada lembrava Elis. Precisava de algo pra concentrar suas idéias, queria atirar fosse o que fosse pela janela, no intuito psicológico de começar uma nova era, uma nova história. Foi então até o banheiro, lavou o rosto, encarou-se no espelho. Devia jogar sua pedra pelo barranco?  
O queijo não havia lhe caído bem, se sentia quente ao mesmo tempo em que lhe corria um frio na barriga inexplicável, como quando entramos num tobogã, num ônibus sem rumo, ou todas essas armadilhas deliciosas de se cair.
Decidiu então ver aonde ia dar. Se não desse em nada, não seria menos impactante que sua vida toda somada.
Entretanto se florescesse e o acaso prosperasse, nunca haverá de existir alguém tão feliz, nem Sisífo e nem Drummond, com uma pedra no meio do caminho, como Gina, a amante de todas as coisas.
Sorriu pro espelho e respirou o mais fundo que pode. Sentiu sua força da natureza encontrar a dela, num beijo tenso, doce.
Saiu e mandou marcar na conta, furtando consigo a caixa de palitos.
A idéia de ter um par de olhos na estante até a vivacidade bater a porta, se bater, era agradável, trazia paz. E paz era tudo, além de Elis, que Gina desejava profundamente naquela noite.  

D'ANGELO




quarta-feira, 21 de junho de 2017

NUA

Nua, embaixo das cobertas, Luana suplica por amor. Mais um dia inteiro se passa e a noite fria arrefece, desprovida de roupas roça consigo mesma suas partes, na esperança de lançar um ferormônio que pudesse atrair carinho donde fosse, como um animal. Animal que era e que se reconhecia, pegava-se no cântico solista dos desejos. Olhava-se no espelho e desejava-se. Mas sabia que seduzir é uma arte além das análises visuais. Seduzia-se. Porém nessa altura só queria saber mesmo era de uma boa companhia. Olhando em volta, pensava:
-Droga. Eu poderia estar aproveitando o momento.
Frustrada até o pescoço, puxa as cobertas e se cobre toda.
Logo dorme terno sono.

Se Luana não vive o momento, perde o momento e perde Luana.
Se Luana não aproveita o momento,
O momento não aproveita Luana.

D'ANGELO

segunda-feira, 12 de junho de 2017

SUMIÇO

Bem sabes que toda teoria é falha
Tua retórica podia ser fria
Se tua presença preenchesse os vácuos
Que subsistem na ponta da sua língua

Mas não
Preferes o silencio e o sumiço
A cafuzo que se narciso
Se escolher amar-te da cabeça aos pés. 

Dane-sem as centenas de poemas
Que voem as borboletas do estomago
Quem nasceu pra ser eu mesma
Tá longe de Saramago, Bandeira
Mas perto do amor amargo
Que esse sim conheço bem
Pra fazer poema.

Pra falar da dor
Não precisa de etiqueta
Só do teu endereço
E de tinta na caneta.

Por fim pensei em cair no teu esquema e sumir também
Mas minha falta nunca será igual a tua
A tua é frequente e inconsequente
A minha, quando acontece, é eterna enquanto dura. 

D'ANGELO


Böcklin, Self-Portrait with Death Playing the Fiddle


"The Labyrinth of Crete, Theseus and The Minotaur" "Athenians being Delivered to the Minotaur in the Cretan Laby" by Gustave Moreau.-


segunda-feira, 5 de junho de 2017

TUA AUSÊNCIA JÁ ME NOTA

Tua ausência já me nota.
Nas tardes de segunda
Nas notas da vitrola

Não te ouço bem
Não me vês, então
E se me vê, ás vezes
É como chuva de verão:

Não deixa as plantas padecerem
Não as floresce como chuva de trovão. 

Tua ausência já me nota.
Percebo os males da distância
Percebo o eco na maloca

Tipo vela de cheiro 
Se acende com calor
E se esvai no frio,
Nos dedos de quem se cansou
do cheiro
do jeito 
do amor.

Mesmo longe me traga pra perto
Não espere o inverno chegar
Enquanto tua ausência já me nota
Outras ausências também irão notar.

D'ANGELO


Abbas Attar - Collapsing Building , Belfast, 1972



PAINTING BY ANDREW ATROSHENKO - NO NAME


>AS ROSAS NÃO FALAM<

domingo, 4 de junho de 2017

RÉPLICA DIRETA

Passado aflito que cintila no fundo do copo
Não bebida, mas moeda 
Troco de bala
Tiro de sal

O bar vazio 
Vazios animais 
Sou sim andarilho de boca aberta
Pra tragar a vida dos demais

A mim você não toca
Jamais tocou bem e não toca mais
Ao passo que tua roupa amassada vive gasta
A minha costuro com a segunda pele da tua alma sagaz

Os solos de guitarra
Os livros e os beijos 
Guarde tudo na caixa da memória
E sei que guardarás também
No pote dos desejos

De resto, após a brincadeira de Caça e Caçador
Disseste que sou múltipla em mim
Se queres saber está certa
Vários eu's que te puseram  F I M

Extinta, eu sorrio 
Do teu sangue tiro o Dê-Lírio 
Que me satisfez
e faz

Sempre, Sweetie
Sempre viver
Always on the road
Correr atrás de mais. 

D'ANGELO


Fabian Perez "Девушка с бокалом"

Fabián Pérez - Girl with Red Hair 








sábado, 20 de maio de 2017

TRULY BELL, MY SUN

Mais um dia se passa
E a vontade ladra

O sentido se esvai, esvanece
Tira a roupa e apetece
O desejo que escorre pelos teus poros
Satisfaz, faz bagunça e agradece.

Docemente nosso
Loucamente nu
dentro e fora do teu corpo
Truly, baby, la belle de jour .

Meu cheiro em teu lençol
Teu em beijo em mi menor
Uma canção, refrão em dó
Saudade grave, essa sem tom
Comparecendo na tua cama, 
A recompensa por jetom.

Cachoeira de volúpia infernal
Teus dentes, minha mente
Te prende e te solta 
Sacia minha gente
Meus vários eu's e ninguém mais
Minha sombra, o meu barco
Ancorado no teu cais.

D'ANGELO


“Lovers” “ — Title Unknown — ” by Kenne Gregoire (1951).



Original Art Painting Elegant Love Couple In A Luxury Paris Restaurant











sexta-feira, 19 de maio de 2017

GRANDE, ONISCIENTE

Não se sabe ao certo o porque de Ana sempre ficar sozinha no final. A garota não mede esforços pra fazer com que os outros gostem de seu jeito autêntico, do papo e do perfume de revista de cosmético.
- Quero me jogar pela janela.
A auto estima de Ana anda de mal a pior.
- Se eu pegar um, empalo, tipo  Vlad. 
Corria, socializava, tinha os pais vivos e uma namorada.
...na verdade duas.
- Mas não é nada sério, doutor!
Exclamava com certeza de seus problemas, sejam quais fossem os conflitos que a atingissem.
- Sei que um dia alguém irá me descobrir...
Sabia dos motivos pelos quais as pessoas iam-se embora, bem como sabia que as que estavam, não estavam pra ficar.

Ana era, excêntrica e magnanimamente plena, um dos seus motivos pra não se atirar pela janela.
Só queria ser pros outros
Bem como ela é pra ela,
A cruel vampira bela,
O atual motivo pra ficar.

D'ANGELO




Charming Gypsy, Oil on chip board by Marilyn Eger


> PSYCHO <


Van Gogh's "Japonaiserie: Bridge in the rain (after Hiroshige) 1887




domingo, 14 de maio de 2017

ORAÇÃO À TEORIA DO ROMANCE INTENSO

Proponho: 
- Fiquemos uma do lado da outra.

Quando há gritos de preconceito, há poesia revolucionária

As conspirações insólitas, que fiquem só nos guardanapos de bar.
Que tenhamos noção do achado histórico que foi a outra
Tenhamos sempre força pra dizer, e vontade pra amar.

Sejamos justas na fila do banco
Concretas na expressão do nós
Quereres explícitos e foco no palco
Sem aquele medo de flecha atroz.

Se a vida nos der limões
Enxertamos no pé de laranjeira

Façamos crescer uma arvore de "dois frutos"
Vendemos tudo 
Tipo Forest,
Arruadeira.

Advirá de nós 
Tudo que quisermos ser
Proponho: 
- Testemos a teoria!
Completas:

- Concluímos ao amanhecer.


D'ANGELO
FOR D'ANGELISA TEAM


STANHOPE ALEXANDER FORBES - O terminal, Estação Penzance, 1925 

SE TUDO PASSA, TALVEZ VOCÊ PASSE POR AQUI. 


René Magritte – The Prepared Bouquet, 1957 – óleo sobre tela 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

CORDA BAMBA

Na realidade honesta, pensei rápido sobre teu domínio sobre minha pessoa
Senti tuas pernas fortes e seguras na corda bamba do meu coração selvagem

Suscitei uma maneira nova, no teu reino, de reinar sobre a intensidade.
Sorri na face oculta da lua, sua amante indesejada, que de todo ângulo frio, é fria mista a falsidade

Reluz o brilho airoso dos amadores das praças, peças inexatas de um sistema azul, cor do peito aberto, a cor do céu do Sul.

Amor que vem e vai
Faz a morada permanente em mim

Essas ondas tuas enjoam 
Alem do estômago 
Todas as faces do fim. 

(FIMFIMFImFIMFIMFIMFIMfimfimfimfimfimfIMFIMFIMFIMFIMFiMFIMFIM)

D'ANGELO





PAINTINGS BY ANDREW ATROSHENKO




terça-feira, 2 de maio de 2017

A CESAR O QUE É DE CESAR

Aos amantes do bom amor, os amores vãos. Aos viventes solitários, duzia de irmãos. Aos famintos tudo, menos pão. Ao sim autoritário, não. A farra, sermão A raça, extinção A duvida, solução A mim, ela. A Cesar o que é de Cesar A ela o que é dela Sem contradição.



Desilusão - Óleo sobre tela - 30 cm x 40 cm - 2005
E.Cardoso

domingo, 26 de março de 2017

THE PASSAGEIRO

eu sou um passageiro
no passo lento do menino dançante
dócil bailarino indulgente
eu vejo as estrelas e elas me olham e riem
dizem que minhas roupas estão fora de moda
estrelas, eu é que rio
vocês estão melhores que eu
nuas e mortas?
você e eu
cantando
lá lá lá lá lá lá lá lá
here here here here
subindo, baby, subindo essa estrada fria
construída com ossos e metais ruins
os pedreiros pararam e riram de mim
“deus onde errou pra faze-lo assim?”
ora ora senhores
vocês são perfeitos
como vossas construções?
tijolo por tijolo
vencendo as provações?!
lá lá lá lá lá lá lá lá
você e eu cantando, corazon
essa canção real.


D'ANGELO

MINOTAURO E ÉGUA MORTA DIANTE DE UMA GRUTA
(PICASSO)








domingo, 19 de março de 2017

SOU PASSADO

Eu sou só o passado.
o passado e a prova
de que um dia em outrora
o passado e a história
se vestiram de paixão.


tão cedo era a hora
o sol enrolava e a torcida calada
na tela de baixo, na novela das onze
ditar o romance
não planejado.


entre duas ruas,duas santas
sabia um eu distinto
movido cético
intrépido instinto
escolheu a lua
e que bela musa
pra se inspirar.


inspirado errante
errou no pecado
e viu sua musa
ao todo gamar
gamada na liberdade
era a única beleza
que o passado
se priva de dar.


Sou só o passado
o passado e a prova
de que um dia em outrora
o passado soube amar.

D’ANGELO - 19/03/17

Partitura incolor


Apelido fundamental