segunda-feira, 17 de abril de 2017

A SINGULAR HIPOCONDRIA

Nanda sofria de rinite, bronquite e asma. Tinha cabelos elegantes, que dançavam com a brisa, que repartiam-se em camadas de uma mesma cabeça. Cabeça essa que ela sabia usar, pensava como só. Resolvia cálculos e lógica de uma maneira inconcebível.
A menina tem o mundo ao seus pés. Ela só não sabia que colocaria tudo a perder por uma série de amores metidos a melancolia e abusivamente superficiais.
De perto, dava-se para notar: tinha também uma cicatriz enorme na perna esquerda por peripécias pueris com arame farpado.Foi também bi-campeã de xadrez na escola, teve lá suas conquistas fenomenais.
Hoje ela se deu bem, faz uma faculdade qualquer para seguir a vida.
Nanda é bonita...e decidida.
Aos 50, a menina teve letargia óssea e derrame cerebral. Mas ao ser questionada, diz: - Entre retardo e mais uma dessas ilusões, prefiro o problema mais superficial.

D'ANGELO

Marc Chagall - El violinista verde



Entre a guerra e a paz

sábado, 8 de abril de 2017

AS OBSCURAS MORTES DE JANIS JENNY

Eles sabem que estou aqui. Suscito a idéia de me jogar da janela, acabaria com todo esse maldito fenômeno que virou minha vida pra baixo nas últimas semanas. Não tenho pra onde ir e agora eles sobem pelas escadas. escuto vários passos pesados, não há o que fazer, tenho de me entregar. E pensar que era um plano perfeito. Um único erro fez com que tudo implodisse ao chão. A tortura era franca, de fato, mas prometemos não entregar uns aos outros. Não a culpo, também. Sabe se lá como arrancaram isso dela. Eles chegaram! Batem na porta compulsivamente, gritam em uma língua que eu desconheço, pela fresta da porta creme de madeira reflete a última linha fraca e tênue de luz esperançosa que promete extinguir-se ao primeiro sinal da sombra densa tomar aquele ambiente. O abajur diz com seus tons preguiçosos que deseja a inexistência, como eu, como parte do mundo que apenas queria fazer as coisas do jeito certo, porém resolveram arriscar em nome de sua fome, de seus filhos. E agora pra mim, ajoelhada, encaro a porta a ser estraçalhada do modo quadrúpede, a patadas e estocadas de madeira, chutes, coronhadas pesadas das armas que vão em breve perfurar e atravessar meu crânio frágil de humano inútil, espalhando esse líquido azul pelo chão, essa tinta de caneta, meu sangue que carrega minhas singularidades fúteis neste mundo infeliz e injusto. Eis que é chegada a hora. Meus demônios abrem a porta e partem ao meu encontro.
  • Ora ora, senhora. Finalmente nos encontramos pessoalmente.
  • Vocês são nojentos. Verei todos no inferno.
  • O inferno é lugar pra gente grande, moça. Você vai voltar pro ensino médio.
  • Bom humor vocês têm, mas apenas isso.
  • Quando eles descobrirem que dessa vez não foi por amor, talvez liberem te mais uma vez.
  • Pecado é pecado. Sabe que vou passar por tudo outra vez. Só queria verdadeiramente o esquecimento. É tão difícil descansar em paz em vez de simplesmente morrer outra vez?
  • Da próxima tente overdose.
          
                    (clek clek, shot)



Amor do próximo como a ele mesmo


sexta-feira, 7 de abril de 2017

AS MORTES BUROCRÁTICAS DE JANIS JENNY

-Quem é agora?
-Abra a porta e veja em vez de reclamar.
-Você sabe que eu sempre abro a porta.
-E?
-É sua vez.
-Sabe que eu não sei fazer essas coisas.
-Problema seu.
-Ok….vou olhar por debaixo da porta primeiro.
-Rápido…
-É aquela garota de capuz amarelo outra vez.
-A alta e abstrata?
-A própria.
-Aconteceu de novo?
-Tenho pena dessa garota.
-Avisamos pra ela que da próxima vez não daria pra ressuscitar.
-Teremos de dizer isso a ela.
( porta se abre )
-Olá…- disse a moça acanhada.
-Você pisou na bola de novo,J. Infelizmente dessa vez é o inferno direto.
-Mas o que tem de mais morrer de amores?
-É uma morte como qualquer outra.
-Qualquer outra?
-Tipo overdose.
-Me mande morta pra baixo então. Tenho coisas a acertar com aquela maldita.
-O que andam dizendo lá embaixo? Fantasmas, anjos, essas coisas não existem. Pensam -que o céu é mais que uma repartição pública?
-Me deixe voltar, por favor.
-São as regras. Pegue essa ficha e aguarde no segundo corredor a direita. Vai e não peques -mais.
-Se eu pecar?
-Reencarna automaticamente e como penalidade será desprovida de alma e saberás disso.
( porta se fecha )
( passos de salto 38 no chão do corredor celestial )
-Puta que pariu...essa é a fila pro inferno, moça?
-É sim.
-Deixa eu te perguntar, sem alma eu sinto prazer?
-A alma é a camisinha do amor.
-Jesus!
-Vai pro inferno porque?
-Amei de mais.
-Misericórdia...meus sentimentos.
-E você?
-Só Overdose.


D’ANGELO

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quarta-feira, 29 de março de 2017

O NARCISISTA DEPRIMIDO

O NARCISISTA DEPRIMIDO

-Que horas são, meu bem?
-Tempo de dizer adeus.
-Também acho... Você não pode se atrasar de novo.
-Então...
-Esta em cima da hora e sei o que acontece se nos pegarem aqui.
-Andei pensando...
-Deixe pra amanhã, sim? Você tem que ir. 
-Não volte mais, por favor.
-Como? Mas porque esse mal humor repentino?
-Me visite as vezes, só as vezes, se quiser.
-Decidiu isso agora?
-Você me causa enjoo. Sei que no fundo você é uma boa pessoa, mas sempre que nos encontramos saio magoada, ferida, esfarrapada.
-Você sempre foi fraca. Não é culpa minha se contradições te consomem e culpas lhe roem as entranhas.
-Viu só, é disso que estou falando.

                                                (porta se abre)


-Menina, está falando sozinha outra vez? Já mandei parar com essas ideias de gente maluca. Sai da janela, guarda esse espelho, põe no lugar o pente e vem, antes que o feijão esfrie.

                                                 (porta se fecha)

Vai-te.
Vou-me.
E não se engane...

Depois do almoço resolveremos no braço.

domingo, 26 de março de 2017

THE PASSAGEIRO

eu sou um passageiro
no passo lento do menino dançante
dócil bailarino indulgente
eu vejo as estrelas e elas me olham e riem
dizem que minhas roupas estão fora de moda
estrelas, eu é que rio
vocês estão melhores que eu
nuas e mortas?
você e eu
cantando
lá lá lá lá lá lá lá lá
here here here here
subindo, baby, subindo essa estrada fria
construída com ossos e metais ruins
os pedreiros pararam e riram de mim
“deus onde errou pra faze-lo assim?”
ora ora senhores
vocês são perfeitos
como vossas construções?
tijolo por tijolo
vencendo as provações?!
lá lá lá lá lá lá lá lá
você e eu cantando, corazon
essa canção real.


D'ANGELO

MINOTAURO E ÉGUA MORTA DIANTE DE UMA GRUTA
(PICASSO)








segunda-feira, 20 de março de 2017

MENSAGEM

Daí é que surge o problema. A intensidade diária de meu esperto coração deságua nesse indizível emaranhado de desejos.



domingo, 19 de março de 2017

SOU PASSADO

Eu sou só o passado.
o passado e a prova
de que um dia em outrora
o passado e a história
se vestiram de paixão.


tão cedo era a hora
o sol enrolava e a torcida calada
na tela de baixo, na novela das onze
ditar o romance
não planejado.


entre duas ruas,duas santas
sabia um eu distinto
movido cético
intrépido instinto
escolheu a lua
e que bela musa
pra se inspirar.


inspirado errante
errou no pecado
e viu sua musa
ao todo gamar
gamada na liberdade
era a única beleza
que o passado
se priva de dar.


Sou só o passado
o passado e a prova
de que um dia em outrora
o passado soube amar.

D’ANGELO - 19/03/17

Partitura incolor


Apelido fundamental

sexta-feira, 17 de março de 2017

TEU BATOM

Por tanto tempo suas linhas me causaram uma curiosidade imensa
Observava de longe, aquela beleza que não cabe na despensa
Mas cabe no meu amor
Escutava uma canção no rádio
Enquanto sorrias vindo, caminhando lado a lado
Com aquele dia primeiro em que iria eu topar contigo e dizer
Moça, olha lá fora. O mundo é seu. E eu to no mundo. Sou um mudo categoricamente mal amado.
Peço desculpa, tua presença desconcerta, fico as vezes sem dizer uma palavra
Mas imagino meus cabelos nas suas pernas
E eu, deitada.
Não te cobro vínculo ou quem dirá  paixão de verdade
Pelo contrário, só acho que quero, como ti, felicidade.
Liberdade, abre as asas sobre nós.
E toda vez que olhar-se no espelho
Diz " eu sou mais eu"
É és. Tudo que eu queria era esse reflexo pra chamar de meu.
Porém um "meu" marginal
Vai, menina,  o mundo é teu quintal.
Faz aquela música, canta aquele som.
Mas antes de ir, me da teu gosto rouge, teu batom.

D’ANGELO

 Oscar Pereira da Silva (1867-1939) “Passando batom” 


 Bel 

sexta-feira, 3 de março de 2017

PERIPÉCIAS CANTAROLANTES

Um toque na mão, seu Zé.
Meu passado é escrito em letras tristes, com pedras na coroa, sangue daquela patroa miúda, nas cordas, no ferro, no santo fogo, e que fogo, bebo fogo, liquor mágico da inexistência universal.
Tribalmente triste, Dona Maria. Perdeu teu filho mas ganhou meu mundo, tal qual ele e seis filhos do Francisco. São paulo além das vielas e muros, além da capital.
Sigo fruto de um ócio massivamente trabalhado, compulsivo, amado por quem conhece, odiado por quem ouve falar.
Sigo, transformando meu passado em peripécias cantarolantes, e vice versa, essas palavras num passado.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

ANUNCIAÇÃO


Declaro aberto o blog D'Angelo a cores!
Trataremos de temas do cotidiano pelo viés poético e aspirante a sociológico também. Com abertura a musica, devaneios, inspirações, gênero e sexualidade (empirica e não empiricamente)  e muita iniciativa e luta pela igualdade humana. Sintam-se a vontade para ajudar na construção desse blog, criticas e elogios são bem vindos. Abaixo seguem links meus para o contato pessoal. Let's que let's!

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

VÁLVULA


Mas que vida é essa onde não me reconheces?
Que não posso te chamar pelo nome
Que não respondes
Que teus braços não me aquecem?
Cadê tua serena e maldita canção
que insistia em soar nos meus ouvidos
Com tua voz doce
As letras que fiz
Como canções de ninar?
Sua face mistura-se
Sua voz se altera
Não és mais a mesma
E digo mais
Não és mais minha amada
Amo apenas o que restou
E como se perderam minhas linhas outras
Que também falavam sobre ti
Essas não tardarão a se apagar
Como seus traços faciais
Teu tom
No baú dos desesperos humanos
A válvula triste
Meu coração.
Volte pro buraco onde lhe criei
Nunca foste mais que um receptáculo
Meu receptáculo
Porque fui eu quem fiz.
É o mal dos criadores
A praga da imperatriz.

D'ANGELO



domingo, 19 de fevereiro de 2017

A LEVEZA

seus olhos fitavam os meus. juro-te, impensável era o caso. do medo e do momento tirei
intrépida coragem pra chegar-te e encostar meu rosto ao seu, dizendo duas ou três
palavras. sua face rosada balançou positivamente, seu sorriso abalou meus neurônios,
sentia então você como eu, vice e versa, uma massa disforme num planeta chamado terra.
pedia ao deus moinho que ele soprasse ao teu ouvido, para que escutasse o que eu tinha a
dizer. lábio com lábio, a doçura se entende,sabes? mas a intensidade de viver-te vai além.
além de tudo,talvez. além do eu...até. Leve contigo partes de mim, para que ao menos elas
lhe conheçam bem. Leve, mas volte se quiser. Apenas leve, corazon. Leve.

leve pluma, há quem o diga
fardo impensável, serotonina
meu vício, tua boca
dois lábios de menina.
um encontro casual
talvez comum, alheio ao “mais”
todavia sei que posso dizer sim
sei que casualidade não me satisfaz.
maldito seja o século vinte e um
que trouxe curas e revoluções
mas também trouxe o medo e o receio
de viver amores e paixões.
certa de meu parnasianismo inútil
frustro-me e o utilizo como válvula de escape
para que a métrica traduza aos poucos
o desejo mórbido da minha insanidade.
mas nem de longe isso é uma entrevista
boletim ou diário de alquimista
não cobro respostas nem mudanças
abrupta hora,
dissipadas
esperanças.
só queria tua sombra
confundindo-se com a minha
só queria tua hora
um pedaço do teu dia.
todavia só a tua consciência
a tua doce consciência da minha existência
já me basta. já me salva. me completa.

D'ANGELO

Opala Azul. "O Universo".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

VOCÊ SABE

Sou terrivelmente amador
Nesse negócio de se apegar
Apaixono-me algumas vezes ao dia
Como comprimidos pra tomar.
De manhã umas duas doses
Na fila da padaria, quem sabe
Enquanto busco no parque
Refugio dos próprios males.
Viro a esquina e enxergo
A hipocondria viva, vindo.
Perfeita, a mais perfeita
E sofrida forma de morrer.

D’ANGELO


SAUDADE

A saudade é um poço de desejo
Daqueles que acreditamos
Quando não nos resta esperança
No desespero.
É a palma da mão ingrata
Colada ao rosto, acariciava
E hoje apenas se esconde, galante
Nos bolsos de qualquer homem.
Pois do bolso tirei uma moeda
Mirei a fonte seca, mas bela
E fiz um pedido.
Pedi à saudade
Não o retorno
Mas o mesmo agouro
Por parte dela.

D’ANGELO


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ANSEIO

Anseio pela pátria
Onde o pecado desce limpo
E o ódio sobe alado

Sou mundano mesmo
E aos poucos vou moldado
Seguindo o ritmo do tempo
Às vezes altamente amado

Muitas vezes morto
Tristemente só
Alheio a pensamentos
Afogo-me de sol

Vejo a quem não quero
Mato a unhas esse teu olhar
Enterro-te a meia luz
Dentro de mim, o teu lugar.

Padeço nas horas vagas
Poetizo a poeira do sofá
Que cheira teu suor saudoso
Que tantas vezes nos viu no mar

Beijo tua boca mansa
Peço que volte para me visitar
Qualquer toque já percebo
A ingratidão do teu amar.

Pois então vá
Não preciso muito de ti
Tenho todas as meninas
Pra me divertir

O dia nasce torno
Branco, horroroso
É o primeiro dia sem você
Que venham muitos outros

O dia nasce frio
Lindo, sadio
É o segundo dia sem você
Mortalmente infantil

O dia já pra mim não nasce
Põe-se a luz e logo apaga
Lucidez noturna, maldita
Vejo tudo entre as tabuas

Quero agora distancia dos teus meigos
amores
Dos teus lindos adjetivos pueris
Todavia tenho certeza que por mais que meu
corpo enoje-te
Minha alma anseia por ti.

D’ANGELO


Comemoração Histórica

ACASO MORTAL


Hoje pela manhã andava eu despercebida pelas ruas da cidade quando me peguei consciente. Vi que cruzava a esquina de um velório local aqui da cidade de Batatais, interior do estado de São Paulo. Muitas pessoas, aquele clima fúnebre característico e de desnecessária explicação. Todavia a alegria de um cidadão que vinha subindo a rua contrastava com todo esse cenário triste, (porém natural, assim como os elementos seguintes), com um sorriso alegre, um homem de meia idade, cabelos curtos, enxada nas costas, passos largos, dizia a si mesmo em tom comemorativo, ao perceber que hoje se velava alguém: “Que bom que hoje alguém morreu. Tem que morrer mais
gente, é bom que morra! Assim eu posso entrar e hoje terei café da manhã, algo pra comer.”
Não vi eu desumanidade alguma no que escutei. Todos o olharam como se fosse um ser humano insensível, mas eu verdadeiramente compreendi, ou é possível pensar que compreendi o sentido real, ou que considero ser real, daquela situação. Todos ali estavam para relembrar a morte de alguém querido, mas na realidade ali se venera uma imagem social em extinção. Os bons momentos (e os não bons) ficarão na memória, e em fotografias recortadas. Poderia se dizer: “Ora, mas é a ultima despedida”. Não, não é. Não para ele, ao menos. O defunto já se foi. Enquanto ele estava vivo, fez você juz as lágrimas que derramou por ele/ela? Deu tantas flores a ele/ela antes de morto quanto deu depois de inexistente? Cada qual tem sua crença, mas independente de ter que fazer um bom enterro
ou não, acreditar ou não em reencarnação, espíritos ou vida pós morte, há uma coisa que nos liga, que liga todos nós: A humanidade.
Se olhássemos para o senhor faminto com o mesmo afinco que observamos um ser inerte
dentro de uma caixa de madeira, certamente o daríamos algo para comer, para que ele conservasse o único e maior, diria incalculável bem que todo ser que respira tem o dom de reter dentro de si: a vida. Suscito aqui não uma mudança nos métodos de se velar ou enterrar alguém, mas sim uma mudança na visão das pessoas vivas, enxergar a humanidade além das próprias pupilas, e parar de personificar os arrependimentos e saudades como se eles fizessem ressuscitar seu ente querido. Lembrem-se, claro, das pessoas que lhe fizeram bem. Mas não espere ela falecer para começar esse processo. Aproveitem uns aos outros vivos. Amem-se, liguem, peçam perdão. Digam verdades, minta se achar necessário, mas fundam-se com quem se vive,viva as experiências, todas, de sentidos aguçados, dê e receba tudo aquilo que puder. Somos construções sociais. Quanto mais tijolos, maior a casa. De
resto, olhe pro lado e enxergue o que se passa. Por fim, chego eu a mesma conclusão que o saudoso Noel Rosa: “Quando eu morrer não quero flores, nem coroa com espinhos, só quero choro de flauta com violão e cavaquinho"

 
A Morte e a Vida,Gustav Klimt - 1908–1916 -